24 de junho de 2009
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias/Divulgação
Márcio Maio/ TV PRESS
Wellington Muniz garante que está aprendendo, com o tempo, a avaliar seu trabalho na TV. Mais conhecido como o Ceará do Pânico na TV!, humorístico dominical da Rede TV!, o imitador do Sílvio Santos e de outros ícones da TV assume que já pegou pesado em suas tiradas com o público e com as celebridades entrevistadas no programa. Mas jura que esses "escorregões" agora fazem parte do passado.
"E foram bem poucos, se contarmos que estamos há quase seis anos no ar", defende-se. Tudo porque, no início, o grupo precisava conquistar espaço na televisão. "Colocamos nosso dinheiro ali. Não tínhamos uma equipe de produção grande. Várias vezes gravávamos com nossos adereços e um de nós fazia segunda câmara", lembra o humorista.
O Pânico na TV! completa seis anos em setembro. Entre elogios, críticas e processos judiciais, qual o balanço que você faz do programa?
Acho uma trajetória bem interessante para um grupo que começou no rádio e migrou para a televisão. Antes, ficávamos atrás do microfone, sem mostrar a cara. Quando fechamos o contrato com a Rede TV!, tivemos de aprender a lidar com isso. E o resultado foi excelente. Tanto que estamos no ar até hoje. Acho que o grande lance é que não são só imitações ali. Existe um trabalho de ator, improvisamos o tempo todo. É muito difícil conseguir dar dois dígitos de audiência aos domingos. E nós damos. É uma vitória que comemoramos até hoje.
Mas vocês também são muito criticados pela forma como conseguem essa audiência. Qual é o limite entre o que é engraçado e o que é grosseiro?
A barreira do limite é muito tênue. Presto atenção na liberdade que a pessoa vai dar para que eu seja mais incisivo ou não. Quase todos os artistas têm a vaidade potencializada. Eles querem ouvir elogios, acham que vão sempre falar bem deles. E a gente vai na contramão. Às vezes, chegamos a transgredir. Passamos um pouco, sim. Mas, se formos analisar, de uns tempos para cá, isso praticamente acabou. Todo começo é sempre mais complicado. E precisávamos que o formato pegasse na TV. Nos primeiros meses, investimos nosso dinheiro ali para tentar conquistar um espaço. Não tínhamos muita infraestrutura e morríamos de medo de fracassar. Acho que isso acabou favorecendo alguns excessos. Mesmo assim, foram poucos.
O que vocês faziam no início e que, agora, não se permitem mais?
Na verdade, não é que a gente tenha deixado de fazer as coisas. Quem tem senso de humor, leva na brincadeira. Eu trabalho para o público. Sou um operário de uma fábrica de ilusões da TV. Sei que não faço um trabalho jornalístico, mas acho que perguntamos e comentamos coisas que muita gente em casa teria vontade de questionar ou falar se estivesse ali, no mesmo lugar. Só que hoje em dia o "approach" é diferente. A gente pode até carregar um pouco na tinta, mas o pessoal da edição cuida para que o conteúdo de cada matéria seja engraçado, e não jocoso. A única coisa que a gente quer é fazer um trabalho legal, agradar aos telespectadores e, assim, continuar o sucesso do programa.
Depois de seis anos trabalhando em um programa de humor escrachado na TV, vocês também são celebridades. O que distancia você dos entrevistados com quem costuma brincar, geralmente pessoas conhecidas e da televisão?
Entendo o que você quer dizer, mas já fizeram brincadeiras semelhantes conosco e encaramos bem. Outro dia mesmo uma equipe de Santos chegou fazendo piada e gravando. Você tem de tirar de letra. Eu, Ceará, tento sempre não desrespeitar ninguém. Nosso intuito não é criar um clima ruim, mas sim de brincadeira. Nosso humor é mais ousado e, ao mesmo tempo, bem "povão". Quem quiser curtir com a nossa cara, é só vir que a gente se diverte junto.
Como você classifica o humor que vocês praticam no programa?
A gente pode até envelhecer na idade, mas temos que acompanhar a molecada. O humor do Pânico é de "fundão de colégio". Tanto que a gente pega mesmo o público da molecada, que fica um zoando com o outro. E tem gente que entende esse espírito. A maioria das pessoas é receptiva ao nosso contato. Recentemente conversamos com o Sílvio Santos e ele falou da Maísa, do Ronaldo, enfim, de assuntos que são delicados para ele. Uma vez encontramos o Antônio Fagundes na saída da peça dele e brincamos. O cara é um ator conceituado, poderia se ofender, mas se divertiu conosco. Como ele fazia um caminhoneiro em Carga Pesada, pedimos que ele provasse que dirigia e ele topou pegar um caminhão de lixo na rua. Quem tem senso de humor leva na brincadeira. Quando o artista se acha mais do que é, aí sim, vira um problema.
